Realengo recebe o programa de policiamento de proximidade Bairro Seguro

O governador Cláudio Castro lançou nesta segunda-feira, dia 14, o programa de policiamento de proximidade Bairro Seguro, que vai atuar durante 24 horas. Nessa primeira fase, 28 locais estão sendo contemplados nas zonas Norte, Sul e Oeste da capital e na Região Metropolitana. No Bairro Seguro, policiais militares capacitados trabalharão mais próximos da população, criando laços de confiança com a comunidade. O foco é a prevenção dos principais delitos, aumentando a sensação de segurança.

Foto: Luis Alvarenga

Foto: Luis Alvarenga

– O Bairro Seguro faz parte de uma política de segurança pública que o Estado do Rio vem desenhando com as secretarias de Polícia Militar e Polícia Civil, dando um caráter técnico. É policiamento de proximidade, com o policial mais perto da população, com ronda em bairro e os moradores se sentindo seguros perto de casa. A ideia do Bairro Seguro é essa: a nossa casa segura. Não tenho dúvida de que será um programa de sucesso – destacou o governador Cláudio Castro durante a cerimônia que marcou o lançamento do programa, no Quartel General da Polícia Militar, no Centro da capital fluminense.

–  Esse programa foi concebido com muito carinho para ter sucesso nos bairros em que fomos criados. O Bairro Seguro conta com policiais preparados que estão a distância de um simples telefonema – acrescentou o secretário de Polícia Militar, coronel Rogério Figueredo.

Nessa primeira fase, 392 policiais militares e 84 viaturas serão utilizados no patrulhamento. Cada equipe tem um telefone celular funcional para agilizar o acesso e a proximidade com os moradores de forma institucionalizada e transparente. As estruturas já existentes, como radiopatrulhas e cabines, continuarão a funcionar na região, aumentando o policiamento.

– Para nós, o programa Bairro Seguro é sinônimo de tranquilidade – atesta Renata de Almeida, presidente da Associação de Moradores Jardim Sulacap, bairro da Zona Oeste carioca, onde foi desenvolvido um projeto-piloto desde novembro.

– As famílias se sentem muito mais seguras – confirma o servidor público federal Luciano Dias da Silva, 40, morador de um condomínio na Avenida Embaixador Abelardo Bueno, na Barra da Tijuca.

Na primeira fase do programa, estão sendo contemplados os seguintes locais: Cachambi, Cascadura/Quintino, Osvaldo Cruz/Campinho, Sulacap, Realengo, Padre Miguel, Bangu, Magalhães Bastos/Mallet, Penha, Olaria, Jardim Guanabara, Portuguesa, Ramos, Campo Grande I , Campo Grande II, Pavuna, Vila da Penha, Urca, Abelardo Bueno, Leme,  São Conrado, Barra da Tijuca, Américas, Marapendi, Itanhangá, Vargem Pequena e Vargem Grande e Itapuaçu (Maricá)

Fonte: Imprensa Governo do Estado do Rio de Janeiro

Manguinhos (RJ) abriga maior horta comunitária da América Latina

Batata-doce, quiabo e hortaliças. Para moradores de Manguinhos, bairro da zona norte do Rio de Janeiro, tais alimentos estão na porta de casa. É em uma área que não entra nos atrativos turísticos da cidade que nasceu a maior horta comunitária da América Latina.

A horta de Manguinhos foi criada em 2013 e integra o programa Hortas Cariocas, desenvolvido pela Prefeitura do Rio. No terreno ocioso, que já abrigou uma cracolândia, hoje 21 moradores trabalham para produzir legumes e verduras. O plantio toma conta de uma área equivalente a quatro campos de futebol.

Com financiamento da prefeitura, os trabalhadores ganham uma bolsa auxílio para se dedicarem aos cuidados à horta. Os alimentos colhidos são repartidos entre eles, doados a outros moradores e também vendidos. Todo o dinheiro obtido também é dividido.

Além de gerar renda, a horta comunitária impacta diretamente a vida de 800 famílias, que adquirem alimentos de graça todos os meses. A produção mensal é de duas toneladas de alimentos.

Os impactos sociais e econômicos são inquestionáveis, mas há ainda outras vantagens como o aumento da qualidade de vida e melhora na saúde por meio do consumo de alimentos frescos produzidos localmente e sem agrotóxicos.

“Pesava 115 quilos, tinha problema de pressão alta e hoje comemoro 17 quilos a menos e taxas normais graças ao consumo de alimentos mais saudáveis. Porém, o mais importante a se dizer é o quanto essa horta beneficiou a comunidade. Grande parte do que consumimos aqui sai da horta. Isso aqui mudou o modo de viver de Manguinhos, que também passou a ser olhado de outra forma. Vivemos muito melhor na comunidade graças a esse projeto. Posso dizer que a felicidade chegou junto com a horta”, afirma Ezequiel Dias Areas, um dos responsáveis pela horta de Manguinhos.

Outros benefícios das hortas comunitárias urbanas incluem aumento da capacidade de infiltração da água no solo, conservação da biodiversidade e diminuição do efeito estufa e da poluição.

Hortas Cariocas

Criado em 2006, o programa Hortas Cariocas usa terrenos ociosos para incentivar o plantio orgânico de alimentos. A prefeitura capacita moradores que vivem ao redor do local escolhido – áreas de vulnerabilidade social.

Além do auxílio financeiro, para a manutenção dos plantios, a prefeitura fornece sementes, ferramentas, equipamentos em geral e fertilizantes orgânicos. Sem uso de agrotóxicos, os produtores são orientados a aplicarem práticas agroecológicas de recuperação do solo e prevenção de pragas.

Hortas urbanas X Fome

Em 2020, a situação da fome e miséria no Brasil foi potencializada pela pandemia. O projeto São Paulo Composta, Cultiva, liderado pelo Instituto Polis, está articulando propostas que incentivam a criação de hortas urbanas para amenizar este cenário. Os idealizadores citam uma pesquisa do Instituto Escolhas que indica que a região metropolitana de São Paulo é capaz de abastecer 20 milhões de pessoas.

Todo esse potencial não é exclusivo de São Paulo. Muitas cidades, inclusive grandes metrópoles pelo mundo, já perceberam que é preciso estimular o plantio urbano – encurtando a distância entre produtores e consumidores. Outra pesquisa, por exemplo, avaliou o potencial de implantar telhados verdes na cidade do Rio de Janeiro e o resultado foi que o cultivo nas superfícies poderia alimentar 39% da população.

A hortas de Manguinhos é uma das 49 unidades espalhadas pela cidade do programa Hortas Cariocas, sendo 24 em comunidades de baixa renda e 25 em escolas municipais. Com a pandemia, as unidades foram orientadas a doarem toda a produção de alimentos para famílias de baixa renda. De forma que, desde março, já foram doadas mais de 33 toneladas de alimentos beneficiando 4 mil famílias. Por conta desta iniciativa, o programa entrou para a lista de ações essenciais para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

Todas as fotos: Hortas Cariocas | Facebook

Fonte da Matéria: Ciclo Vivo

Como lidar com a ansiedade causada pela pandemia: Sete ajudas práticas

A pandemia de covid-19 abalou o mundo de uma forma nunca antes vista e afetou muito o bem-estar emocional das pessoas em vários países. A ameaça de contrair e transmitir um vírus que pode matar, bem como a ansiedade e o isolamento social tiveram um profundo impacto em pessoas de diferentes formações.

Para ajudar as pessoas a lidar com essa situação, o site oficial das Testemunhas de Jeová, jw.org, apresenta o vídeo Epidemias – O que você pode fazer?. Essa animação de três minutos fornece ajuda prática, emocional e espiritual para as famílias enfrentarem os efeitos da pandemia.

Desde o começo da pandemia, o site jw.org tem publicado informações que ajudam pessoas de todas as idades e formações a ficarem calmas, bem informadas e saudáveis. Com conteúdo disponível em 1.028 idiomas, o site responde a perguntas feitas com frequência e mostra a garantia da Bíblia de que teremos um futuro maravilhoso.

Links para 7 ajudas práticas no jw.org:

Epidemias – O que você pode fazer?

 Como vencer a fadiga da pandemia

Como lidar com o isolamento social

A Bíblia pode me ajudar se estou com depressão?

Homens com ansiedade – Será que a Bíblia pode ajudar

Ajuda para as vítimas de violência doméstica

O que a Bíblia diz sobre pandemias?

Ricardo Carneiro, porta-voz regional das Testemunhas de Jeová, diz: “Desde o início da pandemia, muitos sentem que suas vidas estão fugindo do controle. Os artigos do jw.org ajudam pessoas de todas as idades e formações a lidar com seus sentimentos por confiar na sabedoria sempre atual encontrada na Bíblia.”

 

Os que não têm uma Bíblia podem baixar ou ler gratuitamente a Palavra de Deus no jw.org — não é necessário se cadastrar ou dar informações pessoais.

Contato:

Ricardo Carneiro

Porta-voz regional

Email: ricardocarneiro.portavoztj@gmail.com

Enquanto Rio privatiza, por que Paris, Berlim e outras 265 cidades reestatizaram saneamento?

Serviços inflacionados, ineficientes e com investimentos insuficientes são motivos para a reestatização

Enquanto iniciativas para privatizar sistemas de saneamento avançam no Brasil, um estudo indica que esforços para fazer exatamente o inverso – devolver a gestão do tratamento e fornecimento de água às mãos públicas – continua a ser uma tendência global crescente.

De acordo com um mapeamento feito por onze organizações majoritariamente europeias, da virada do milênio para cá foram registrados 267 casos de “remunicipalização”, ou reestatização, de sistemas de água e esgoto. No ano 2000, de acordo com o estudo, só se conheciam três casos.

Satoko Kishimoto, uma das autoras da pesquisa publicada nesta sexta-feira, afirma que a reversão vem sendo impulsionada por um leque de problemas reincidentes, entre eles serviços inflacionados, ineficientes e com investimentos insuficientes. Ela é coordenadora para políticas públicas alternativas no Instituto Transnacional (TNI), centro de pesquisas com sede na Holanda.

“”Em geral, observamos que as cidades estão voltando atrás porque constatam que as privatizações ou parcerias público-privadas (PPPs) acarretam tarifas muito altas, não cumprem promessas feitas inicialmente e operam com falta de transparência, entre uma série de problemas que vimos caso a caso”, explica Satoko à BBC Brasil.

O estudo detalha experiências de cidades que recorreram a privatizações de seus sistemas de água e saneamento nas últimas décadas, mas decidiram voltar atrás – uma longa lista que inclui lugares como Berlim, Paris, Budapeste, Bamako (Mali), Buenos Aires, Maputo (Moçambique) e La Paz.

Sakoto Kishimoto, coordenadora para políticas públicas alternativas no Instituto Transnacional (TNI)

Privatizações a caminho

A tendência, vista com força sobretudo na Europa, vai no caminho contrário ao movimento que vem sendo feito no Brasil para promover a concessão de sistemas de esgoto para a iniciativa privada.

O BNDES vem incentivando a atuação do setor privado na área de saneamento, e, no fim do ano passado, lançou um edital visando a privatização de empresas estatais, a concessão de serviços ou a criação de parcerias público-privadas.

À época, o banco anunciou que 18 Estados haviam decidido aderir ao programa de concessão de companhias de água e esgoto – do Acre a Santa Catarina.

O Rio de Janeiro foi o primeiro se posicionar pela privatização. A venda da Companhia Estadual de Água e Esgoto (Cedae) é uma das condições impostas pelo governo federal para o pacote de socorro à crise financeira do Estado.

A privatização da Cedae foi aprovada em fevereiro deste ano pela Alerj, gerando polêmica e protestos no Estado. De acordo com a lei aprovada, o Rio tem um ano para definir como será feita a privatização. Semana passada, o governador Luiz Fernando Pezão assinou um acordo com o BNDES para realizar estudos de modelagem.

Da água à coleta de lixo, 835 casos de reestatização

Satoko e sua equipe começaram a mapear as ocorrências em 2007, o que levou à criação de um “mapa das remunicipalizações” em parceria com o Observatório Corporativo Europeu.

site monitora casos de remunicipalização – que podem ocorrer de maneiras variadas, desde privatizações desfeitas com o poder público comprando o controle que detinha “de volta”, a interrupção do contrato de concessão ou o resgate da gestão pública após o fim de um período de concessão.

A análise das informações coletadas ao longo dos anos deu margem ao estudo. De acordo com a primeira edição, entre 2000 e 2015 foram identificados 235 casos de remunicipalização de sistemas de água, abrangendo 37 países e afetando mais de 100 milhões de pessoas.

Nos últimos dois anos, foram listados 32 casos a mais na área hídrica, mas o estudo foi expandido para observar a tendência de reestatização em outras áreas – fornecimento de energia elétrica, coleta de lixo, transporte, educação, saúde e serviços sociais, somando um total de sete áreas diferentes.

Em todas esses setores, foram identificados 835 casos de remunicipalização entre o ano de 2000 e janeiro de 2017 – em cidades grandes e capitais, em áreas rurais ou grandes centros urbanos. A grande maioria dos casos ocorreu de 2009 para cá, 693 ao todo – indicando um incremento na tendência.

O resgate ou a criação de novos sistemas geridos por municípios na área de energia liderou a lista, com 311 casos – 90% deles na Alemanha.

A retomada da gestão pública da água ficou em segundo lugar. Dos 267 casos, 106 – a grande maioria – foram observados na França, país que foi pioneiro nas privatizações no setor e é sede das multinacionais Suez e Veolia, líderes globais na área.

ETA GuanduDireito de imagemCOSME AQUINO
Image captionEstação de Tratamento de Água (ETA) Guandu, em Nova Iguaçu (RJ)

Fácil fazer, difícil voltar atrás

De acordo com o estudo, cerca de 90% dos sistemas de água mundiais ainda são de gestão pública. As privatizações no setor começaram a ser realizadas nos anos 1990 e seguem como uma forte tendência, em muitos casos impulsionadas por cenários de austeridade e crises fiscais.

Satoko diz ser uma “missão impossível” chegar a números absolutos para comparar as remunicipalizações, de um lado, e as privatizações, de outro. Estas podem ocorrer em moldes muito diferentes, seja por meio de concessões de serviços públicos por determinados períodos, privatizações parciais ou venda definitiva dos ativos do Estado.

Entretanto, ela frisa a importância de se conhecer os riscos que uma privatização do fornecimento de água pode trazer e as dificuldades de se reverter o processo.

“Autoridades que tomam essa decisão precisam saber que um número significativo de cidades e estados tiveram razões fortes para retornar ao sistema público”, aponta Satoko.

“Se você for por esse caminho, precisa de uma análise técnica e financeira muito cuidadosa e de um debate profundo antes de tomar a decisão. Porque o caminho de volta é muito mais difícil e oneroso”, alerta, ressaltando que, nos muitos casos que o modelo fracassou, é a população que paga o preço.

Como exemplo ela cita Apple Valley, cidade de 70 mil habitantes na Califórnia. Desde 2014, a prefeitura vem tentando se reapropriar do sistema de fornecimento e tratamento de água por causa do aumento de preços praticado pela concessionária (Apple Valley Ranchos, a AVR), que aumentou as tarifas em 65% entre 2002 e 2015.

Litígios dispendiosos

A maioria da população declarou apoio à remunicipalização, mas a companhia de água rejeitou a oferta de compra pela prefeitura. Em 2015, a cidade de Apple Valley entrou com uma ação de desapropriação, e o processo agora levar alguns anos para ser concluído.

Satoko afirma que há inúmeros casos de litígios similares, extremamente dispendiosos aos cofres públicos e que geralmente refletem um desequilíbrio de recursos entre as esferas públicas e privadas.

“Quando as autoridades locais entram em conflito com uma companhia, vemos batalhas judiciais sem fim. Em geral, as empresas podem mobilizar muito mais recursos, enquanto o poder público tem recursos limitados, e muitas vezes depende de dinheiro proveniente de impostos para enfrentar o processo.”

Outro exemplo que destaca é o de Berlim, onde o governo privatizou 49,99% do sistema hídrico em 1999. A medida foi extremamente impopular e, após anos de mobilização de moradores – e um referendo em 2011 -, ela foi revertida por completo em 2013. Foi uma vitória popular, diz Satoko, mas por outro lado o Estado precisou pagar 1,3 bilhão de euros para reaver o que antes já lhe pertencia.

“É um caso muito interessante, porque a iniciativa popular conseguiu motivar a desprivatização”, diz Satoko. “Mas isso gerou uma grande dívida para o Estado, que vai ser paga pela população ao longo de 30 anos.”

Realidade brasileira

Já tem uma década que a Lei do Saneamento Básico entrou em vigor no Brasil, mas metade do país continua sem acesso a sistemas de esgoto.

De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, 50,3% dos brasileiros têm acesso a coleta de esgoto. Para a outra metade do país – 100 milhões de pessoas – o jeito de lidar com dejetos é recorrer a fossas sanitárias ou jogar o esgoto diretamente em rios. Já o abastecimento de água alcança hoje 83% dos brasileiros.

O economista Vitor Wilher afirma que não se pode ignorar esse cenário. Especialista do Instituto Millenium, ele considera que, no Brasil, a privatização seria uma solução do ponto de vista técnico e pragmático.

Ao deter controle de outras áreas que poderiam ser geridas pela iniciativa privada – como saneamento básico, correios, indústria de petróleo – o Estado brasileiro não consegue oferecer serviços básicos de qualidade, como segurança, educação e saúde, afirma.

“Na situação a que chegamos, porém, é meio irrelevante discutir se o Estado brasileiro deveria ou não cuidar dessas áreas. Porque o fato é que o Estado não tem mais recursos para isso”, diz o economista.

Luiz Fernando Pezão e Paulo Rabello de CastroDireito de imagemAFP
Image captionGovernador do Rio, Luiz Fernando Pezão (direita), assina acordo de cooperação técnica com presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, para que o banco faça a modelagem da concessão da Cedae.

“Os recursos estão de tal sorte escassos que ou o Estado privatiza, ou essas áreas ficam sem investimento. Hoje mais de metade da população não tem saneamento básico. Um Estado que gera um deficit primário da ordem de quase R$ 200 bilhões ao ano não tem qualquer condição de fazer os investimentos públicos necessários no setor.”

Moeda de troca para austeridade

O caso do Rio, e da Cedae, é semelhante ao de outros países em que a privatização de serviços públicos é exigido por instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial como contrapartida para socorro financeiro.

Satoko lembra o caso da Grécia, onde a privatização das companhias de água que abastecem as duas maiores cidades do país, Atenas e Thessaloniki, era uma das exigências do programa de resgate ao país.

“É um approach absolutamente injusto, porque a companhia de águas é vendida meramente para pagar uma dívida. Mas, com isso, o dinheiro entra no orçamento público e imediatamente desaparece. Depois disso, a empresa já saiu das mãos públicas – ou indefinidamente, ou por períodos de concessão muito longos, que costumam ser de entre 20 a 30 anos”, pondera.

No papel, a Cedae é uma empresa de economia mista, mas o governo estadual do Rio detém 99,9% das ações. A companhia atende cerca de 12 milhões de pessoas em 64 municípios.

“No caso específico da Cedae, a entrega da gestão a iniciativa privada é ainda mais justificada”, considera Wilher, do Instituto Millenium.

“Além de a situação fiscal do Rio ser crítica, a Cedae não tem serviços de tratamento de água e esgoto satisfatórios há décadas”, diz ele, citando como contraponto o caso de Niterói, cidade vizinha ao Rio, em que a desvinculação da companhia pública e a privatização da rede de água levou a bons resultados. “É um dos cases de sucesso nos últimos anos no Brasil.”

Apesar das muitas deficiências que costumam ser apontados na qualidade e na abrangência do serviço prestado, a Cedae tem ganhos expressivos: só em 2016 o lucro foi de R$ 379 milhões, contra R$ 249 milhões em 2015 – um incremento de 52%.

Satoko afirma que o argumento da ineficiência de sistemas públicos de esgoto não podem ser uma justificativa para a privatização.

“Seus defensores apresentam a privatização como a única solução, mas há muitos bons exemplos no mundo de uma gestão pública eficiente. Afinal, 90% do fornecimento de água no mundo é público”, lembra. “A solução não é privatizar, e sim democratizar os serviços públicos.”

O economista Vitor Wilher ressalta, entretanto, que privatizar não significa uma saída de cena do estado. Uma parte fundamental do processo é uma estrutura de regulação sólida, estabelecendo obrigações, compromissos, prazos, políticas tarifária.

“Não se trata de entregar para a iniciativa privada. Os contratos têm que estar muito bem amarrados, senão a empresa poderia praticar os preços que quisesse e descumprir os serviços que lhe foram designados. Isso é um ponto importantíssimo. Não basta só privatizar, é preciso regular.”

Bandeira da Grécia em AtenasDireito de imagemREUTERS
Image captionNa Grécia, privatização de algumas companhias de água era uma das exigências do programa de resgate ao país.

Lógica do lucro ‘incompatível’ com serviços?

O estudo da remunicipalização de serviços aponta para incompatibilidades entre o papel social de uma companhia de água e saneamento com as necessidades de um grupo privado. Os serviços providos são direitos humanos fundamentais, atrelados à saúde pública e que, pelas especificidades do setor, precisam operar como monopólio.

Satoko considera que grupos privados não têm incentivo para fazer investimentos básicos que não teriam uma contrapartida do ponto de vista empresarial. No caso do Rio, por exemplo, investimentos necessários para aumentar o saneamento em áreas carentes não dariam retorno, considera.

“Com a concessão para grupos privados, a lógica de operação da companhia muda completamente. Os ativos não pertencem mais ao público. Ela passa a ter que gerar lucros e dividendos que sejam distribuídos para acionistas”, diz Satoko.

“O risco é enorme. Sistemas de água não pertencem ao governo, e sim ao povo. Se esse direito se perde, torna-se mais difícil implementar políticas públicas.”

A discussão necessária, considera Satoko, é como tornar uma companhia de saneamento mais eficiente e lucrativa para a sociedade. Quando a dívida pública se estabelece como prioridade, não há mais espaço para esse debate

Margareth Dalcolmo: “O isolamento social severo e o SUS são as grandes armas do Brasil contra a pandemia”

Pneumologista da Fiocruz afirma que o coronavírus atingirá populações mais jovens no Brasil, reforça a necessidade de distanciamento social antes do pico da doença e faz alerta para proteger favelas

A médica pneumologista Margareth Dalcolmo, da Fiocruz.
A médica pneumologista Margareth Dalcolmo, da Fiocruz.

A médica Margareth Dalcolmo, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e uma das pneumologistas mais experientes do Brasil, atua desde o início da crise do coronavírus na linha de frente do combate à doença no Brasil. Atende a pacientes com a Covid-19 e participa do grupo de especialistas consultados pelo Ministério da Saúde para coordenar medidas para o enfrentamento da pandemia. Se num primeiro momento as autoridades de saúde chegaram a apostar que, no Brasil, a doença entraria com menos força por conta do clima e de suas características demográficas ―com a proporção menor de idosos que a Europa― a médica acredita que a doença rejuvenescerá no país por essa mesma característica populacional.

A pneumologista pondera que a desigualdade brasileira não dá a todos a mesma chance de prevenir a doença. Chama atenção especialmente para a população das favelas, onde as pessoas vivem aglomeradas, sem acesso a saneamento básico e sem as mesmas condições de frear o contágio. Dalcomo defende um distanciamento social mais severo nas próximas semanas como medida fundamental para que o Sistema Único de Saúde (SUS), que atende a maior parte da população, consiga ampliar seus leitos de UTI. “O problema é se vai dar tempo de tudo isso estar operando nos próximos 30 dias, período em que a epidemia só vai crescer”, diz. Até este domingo, 12 de abril, o Brasil somava 22.169 pessoas infectadas ―o dobro do registrado há uma semana―, e 1.223 mortes por Covid-19.

Pergunta. O que podemos observar sobre as características que a Covid-19 apresenta no Brasil?

Resposta. Podemos observar, sem surpresa, uma subida importante da curva epidêmica e uma maior dispersão da doença nas grandes concentrações urbanas brasileiras, o que não é diferente daquilo que foi esperado epidemiologicamente. E as medidas que estão sendo tomadas pelas autoridades sanitárias brasileiras, não de modo homogêneo como nós gostaríamos, mas de modo heterogêneo, em relação ao isolamento social. As medidas estão corretas. Como membro do grupo de especialistas que apoia o Ministério da Saúde, eu digo isso. As medidas de contenção da epidemia através do isolamento social, proposto de maneira bastante severa nestas semanas e ainda durante todo o mês de abril, são a nosso juízo a arma maior que o Brasil tem no sentido de conter a epidemia. A segunda arma importante que o Brasil tem é uma coisa preciosa chamada SUS, que é quem vai dar a resposta para a grande maioria da demanda que vai ocorrer seguramente.

P. Quais os principais problemas que enfrentamos hoje, especialmente nas favelas?

R. Hoje nós temos alguns problemas, que são as populações mais desassistidas, as comunidades mais pobres, que vão sofrer o baque sendo parte de 40% de brasileiros que são da economia informal, que seguramente vão sofrer porque são pessoas que vivem da mão pra boca, que trabalham naquele dia para levar o alimento e os subsídios elementares para a sua família. Então isso é um problema que exige do Governo e da iniciativa privada uma colaboração, no sentido de assistir essas populações do Brasil. O grande desafio hoje é como diminuir o impacto não apenas da transmissão da doença, mas também do impacto social e econômico que ela pode gerar nas populações mais desassistidas. O segundo problema são as condições de trabalho dos profissionais de saúde, que atendem a essa grande população. Hoje estamos tendo problemas logísticos. As iniciativas estão sendo tomadas, mas precisamos correr contra o tempo para a chegada de EPIs [equipamentos de proteção individual] para as pessoas trabalharem. Também precisamos de mudanças de comportamento, como o uso de máscaras pelas pessoas para se locomover. São dinâmicas que a evolução da epidemia exigem.

P. O Brasil tem características próprias em relação ao comportamento da doença? A maioria dos casos mais graves ocorre em pessoas com mais de 70 anos, mas há muitos jovens sendo internados com quadro mais grave da doença. Por quê?

R. No Brasil, a Covid-19 vai rejuvenescer. A distribuição da população brasileira é diferente da europeia. Não temos um percentual de idosos que tem a Itália ou a Espanha. A nossa distribuição de população, embora tenhamos já cerca de 10% a 11% da população acima de 60 anos, tem uma grande concentração de jovens. Então é natural que a doença se distribua majoritariamente entre jovens. Então é ilusão de que jovens estariam mais protegidos. A distribuição demográfica no Brasil dará à doença características brasileiras. Além disso, o vírus já sofreu mutações e já se adaptou ao Brasil. Cientistas estudaram 20 genomas diferentes, de cinco Estados brasileiros, e mostraram que o vírus já sofreu mutações. Isso não muda nada em termos de patogenicidade do vírus, porém dá a ele características de adaptação.

P. O que se dizia era que os jovens contrairiam o coronavírus, mas o risco de evoluir para casos mais graves era maior nos idosos.

R. Na maior parte das vezes, os jovens têm muito menos possibilidade de complicar. Nesse momento, estou tratando várias pessoas com a Covid-19, mais ou menos com a mesma idade, e está todo mundo em casa. Ninguém está internado. Eles estão com pneumonia, pela tomografia. Eles têm teste positivo e estão doentes, mas não estão graves e ficarão curados. Então se espera uma evolução de 14 a 21 dias para que a gente libere o doente e possa considerá-lo curado. Mas uma mensagem que eu tenho tentado passar é que não há invencíveis para o Sar-Cov-2. Todos somos vulneráveis. No Brasil, seguramente a doença vai atingir populações mais jovens. Se você for medir a média de idade dos pacientes internados em São Paulo ou no Rio de Janeiro, ela não é de pacientes de 80 anos. Ela é bem mais jovem.

P. A senhora falou dos riscos para as comunidades e das mutações que o vírus já sofreu no país. Quais os alertas que as particularidades do Brasil levantam?

R. As mutações havidas no vírus não representam mudanças na patogeneicidade dele. Até onde nós sabemos, ele não é melhor nem pior. Ele apenas sofre mutação porque é altamente mutável. Certamente sabemos que o vírus chinês é diferente do que foi para a Itália. Lá, ele também sofreu mutação. O vírus que chegou ao Brasil não foi da China, foi da Europa. O caso número um veio da Itália e, naquele momento, ele se assemelhava ao genoma do vírus alemão. Era europeu, claramente. O fato de ter sofrido mutação no Brasil não quer dizer que seja mais ou menos patogênico. Ou seja, a capacidade dele causar doença e se distribuir da mesma maneira que já sabemos ―80% de forma leve e 20% de forma mais grave, dos quais 50% vão para o CTI [centro de terapia intensiva]― parece estar mantido no Brasil até o momento. A proporcionalidade já conhecida dos casos parece estar mantida. Se vai ter maior proporção de casos graves que na Europa, acho difícil. Aqui vai ter mortalidade, não há dúvida. Não temos nenhuma ilusão.

P. A senhora citou que o SUS é uma grande ferramenta no enfrentamento brasileiro, mas ele também enfrenta problemas estruturais. Como esse sistema tripartite e capilar vira arma?

R. O SUS é um sistema hierárquico e capilar, para onde corre 80% da população brasileira. É essa a estrutura que vai ter que dar uma resposta à pandemia. Para isso, estão sendo construídos para casos graves os hospitais de campanha, com leitos sendo oferecidos pelo Brasil, inclusive pela Fundação Oswaldo Cruz, onde eu trabalho, que está abrindo um hospital de campanha de 200 leitos para que nós possamos desenvolver os ensaios clínicos referentes aos tratamentos, para verificar se tem algum tratamento que se mostre válido. Até o momento, não há nenhum tratamento válido para isso. E o SUS precisa se reorganizar nesse momento no sentido de fazer triagem, selecionar pacientes suspeitos e, inclusive, colher testes. Estamos ampliando isso, mas no momento um dos nossos gargalos é não ter exames para testar a grande massa de população. É isso que não nos permite dizer, por exemplo, se a nossa mortalidade é real, porque ela está baseada num número muito pequeno de pessoas efetivamente testadas.

Com mais testes, teremos um denominador mais confiável. Mas o SUS tem uma rede básica de saúde composta pelas clínicas de família e pelas unidades básicas de saúde localizadas em todas as cidades e nas periferias das grandes cidades. Caberá a eles fazer a seleção dos pacientes e a orientação das famílias com as normas todas que já conhecemos [de isolamento e higiene]. E separar os fatores de risco porque, na revisão do Ministério da Saúde, da qual eu fiz parte, nós adaptamos o fluxograma usado na rede básica para a síndrome respiratória aguda. Baseado na experiência chinesa, nós associamos dois novos fatores como fatores de alerta [ao protocolo que já existia para outras síndromes gripais]: hipertensão arterial grave e cardiopatia grave. Esses dois fatores, até o momento, são os que levaram a aumentar a mortalidade na experiência chinesa.

P. O número de internações por síndrome aguda respiratória grave (uma complicação da Covid-19 e também de outros vírus respiratórios como a Influenza) já quadruplicou em relação ao mesmo período do ano passado. Quais os desafios do Brasil, num momento em que os sistemas de saúde sentem uma forte pressão da demanda?

R. As medidas tomadas são indubitavelmente corretas. O problema é o timingse vamos conseguir dar uma resposta no tempo correto para a demanda. Isso vai depender muito do isolamento social. Se nós conseguirmos um isolamento muito radical nas próximas duas semanas, que é quando o sistema está se adaptando. Respiradores têm sido instalados e leitos têm sido abertos. O que não pode haver é uma superposição de demanda de síndrome respiratória aguda grave. Estamos no outono e existe uma sazonalidade viral de todo ano, que é conhecida. Muitos vírus começam a ocorrer neste período, e a decisão de adiantar a campanha de vacinação foi correta. Já se vacinou muita gente e, curiosamente, aconteceu uma busca pela vacina muito maior que em anos anteriores. Nós fomos claros em dizer que elas nos auxiliaria. Agora, medidas como ampliação de testes, aprimoramento da hierarquia do SUS com disponibilização de leitos hospitalares e respiradores para pacientes graves seguramente é a medida de resposta a este desafio. O problema é se vai dar tempo de tudo isso estar operando nos próximos 30 dias, período em que a epidemia só vai crescer.

P. O que entra propriamente nesta conta contra o tempo? Estamos agindo corretamente?

R. Todo mundo está correndo, inclusive a rede privada. No Brasil, havia uma inversão. Até agora, quase 60% dos leitos de CTI estavam para atender a rede privada, então nós precisamos inverter essa ordem. Ou seja, tem que aumentar o número de leitos para a rede pública. A rede privada já está exaurida, como nós sabemos. Adaptar o SUS e ter mais testes é o nosso grande desafio agora.

Matéria do Portal El Pais Brasil

Por: BEATRIZ JUCÁ

Fake News: é falso site de cadastro para auxílio emergencial federal

publicado: 27/03/2020 16h37, última modificação: 27/03/2020 16h37

Atenção: é falsa uma notícia que circula em grupos de WhastApp e em postagens de redes sociais sobre um site que estaria fazendo o cadastramento para “Auxílio Emergencial 2020”, no valor de R$ 1.200, do governo federal.

O que é verdade sobre o assunto: existe, sim, um auxílio emergencial previsto pelo governo, de R$ 600 para trabalhadores informais, microempreendedores individuais e desempregados. A Câmara aprovou o texto nesta quinta-feira (26.03). Com isso, falta a aprovação do Senado e a sanção do presidente Jair Bolsonaro.

Pelo texto, poderá receber o benefício quem se enquadrar nos critérios do Cadastro Único, registro de pessoas de baixa renda administrado pelo Ministério da Cidadania. Para se enquadrar no benefício, o interessado não pode receber nenhum outro benefício social, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

A operacionalização dos pagamentos ainda está sendo definida. Assim que o projeto for aprovado e houver sanção presidencial, a tendência é que os repasses sejam feitos pela rede de atendimento da Caixa Econômica Federal, que inclui agências, lotéricas, instituições correspondentes e canais digitais.


Ascom – Ministério da Cidadania

Mensagem da CTB-RJ à Classe Trabalhadora

O estágio de pandemia do coronavírus (COVID-19) anunciado pela OMS requer das entidades representativas do movimento sindical lutar pela proteção dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras frente à epidemia do coronavírus, que também se verifica no Brasil.

Diante da gravidade do problema a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB propõe:

1) Suspensão das manifestações convocadas para os grandes centros das principais capitais do país;

2) Apoio às paralisações convocadas para 18 de março em defesa dos Serviços Públicos, Educação, Emprego, Direitos, Saneamento e Democracia;

3) Garantia de emprego para todos os trabalhadores e trabalhadoras que tenham que ser mantidos em isolamento ou quarentena;

4) O eventual isolamento ou quarentena de trabalhadores e trabalhadoras, determinado por autoridade de saúde, deve ser equiparado à doença contagiosa com internamento hospitalar, sendo assegurados todos os direitos;

5) Que todas as empresas criem Comitês de Prevenção;

6) Que sejam assegurados água, sabonete, toalha descartável e álcool gel a todos os trabalhadores e trabalhadoras nas dependências da empresa;

7) Revogação imediata da Emenda Constitucional 95, que congela investimentos em saúde e outras áreas, assegurando mais investimentos ao SUS para combater o avanço do COVID-19

Sexta-Feira, 13 de Março de 2019

Adílson Araújo
Presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil

Paulo Sérgio Farias
Presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – Rio de Janeiro

Processo seletivo aberto para o curso técnico em Agente Comunitário de Saúde do IFRJ Campus Realengo

 

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) tornou público edital contendo as normas referentes ao Processo Seletivo para preenchimento de vagas relativas à Educação Profissional Técnica de Nível Médio, oferecida de forma concomitante/subsequente ao Ensino Médio, para o 2º período do ano letivo de 2019.

No Campus Realengo, são oferecidas 36 vagas para o curso técnico em Agente Comunitário de Saúde.

Para concorrer a uma vaga ao curso técnico em Agente Comunitário de Saúde, o candidato deve ter concluído o Ensino Médio ou estar cursando, em 2019, a 2ª série.

O curso é gratuito tem duração de 1 ano e meio e as aulas ocorrem 2 vezes por semana (manhã e tarde).

O processo seletivo de classificação de candidatos será mediante a realização de prova, que ocorrerá no dia 19/05, domingo.

Serão 10 questões de Língua Portuguesa e 10 questões de Matemática, todas de múltipla escolha, abrangendo conteúdos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio.

A classificação dos candidatos acontecerá por meio de dois sistemas de vagas: o de Ampla Concorrência (AC) e o Sistema de Reserva de Vagas (SRV) para Escolas Públicas.

A inscrição deve ser realizada por meio do preenchimento do Formulário de Inscrição disponibilizado na página do Instituto Selecon – www.selecon.org.br – até o dia 07 de maio de maio de 2019. A taxa de inscrição tem o valor de R$ 50,00 (cinquenta reais), e poderá ser paga até o dia 08 de maio de 2019.

 

 

 

 

 

 

 

 

O Edital e mais informações sobre o processo seletivo estão disponíveis no site do IFRJ: www.ifrj.edu.br.

 

 

CLUBE DO RITMO

 

Bibi Ferreira, atriz, cantora e compositora que fez história nos musicais brasileiros, morreu nesta quarta-feira, 13 de fevereiro, aos 96 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pelo empresário da artista e por sua família, que acredita que Bibi morreu dormindo.

Fruto de uma família profundamente ligada ao circo e ao teatro —seu pai era o ator Procópio Ferreira, um dos maiores nomes das artes cênicas do país, e sua mãe era a bailarina espanhola Aída Izquierdo (também apelidada Bibi)—, a artista estreou nos palcos já aos 24 dias de vida, no espetáculo Manhãs de Sol, com a madrinha Abigail Maia, substituindo uma boneca de pano. Desde então, não deixou os holofotes. Aos três anos, animava os entreatos dos espetáculos da companhia de teatro da mãe, a Velasco.

A estreia profissional chegou aos 18 anos, depois de uma infância de aulas de ópera, piano e violino, além de uma temporada no Corpo de Baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, dos sete aos 14 anos. Em 1941, atuou ao lado do pai em La Locandiera, peça de Carlo Goldoni. Apenas um ano depois, fez história ao montar sua própria companhia e tornar-se uma das primeiras mulheres a dirigir teatro no Brasil, com a obra Fizemos Divórcio, em que conduziu o próprio pai em cena. Nessa época, trabalhou com nomes como Cacilda Becker, Maria Della Costa e a diretora francesa Henriette Morineau.

Bibi Ferreira levou muitos dos artistas com quem trabalhou no teatro para a televisão em 1960, quando inaugurou a TV Excelsior com o programa Brasil 60. Também apresentou Bibi sempre aos domingos e, em 1968, estrelou o musical Bibi ao vivo, transmitido direto do auditório da Urca. Pouco depois, realizou os papeis que marcaram sua carreira: My fair lady (Minha Querida Dama), de Frederich Loewe e Alan Jay Lerner, e Hello, Dolly!,  versão da obra The matcmaker, de Thornton Wilder, com Hilton Prado e Lísia Demoro.

A artista também foi responsável por um dos maiores sucessos do Canecão, ao dirigir o espetáculo Brasileiro, profissão esperança, inspirado na obra do compositor Antonio Maria e protagonizado por Paulo Gracindo e Clara Nunes.

Ganhadora do Prêmio Molière, em 1975, por interpretar Joana em Gota D’água, de Paulo Pontes e Chico Buarque —montagem que ambientava a tragédia Medeia em um morro carioca—, Bibi também eternizou a fadista Amália Rodrigues em Bibi vive Amália, nos anos 2000. Também se apresentou acompanhada por orquestra e coral os recitais Bibi in concert e Bibi in concert pop.

Em entrevista a EL PAÍS em agosto de 2018, Fernanda Montenegro afirmou que Bibi era sua “raíz”. “No momento, embora com 97 anos, Bibi Ferreira é a grande mulher, a grande atriz, a grande produtora, a grande artistas dos palcos desse país. Não sou eu. É nela que eu me espelhei quando eu tinha 15 ou 20 anos. Além dela, Dulcina de Moraes. Mas Bibi trabalhou até 95 anos e é também uma cantora extraordinária, uma mulher de palco absoluta”, disse a atriz.

“Ô meu Deus! Que dia triste para o Brasil! Brilhe sempre, Estrela Bibi”, disse Elza Soares em seu conta no Instagram. A também cantora Alcione afirmou que “perdemos a maior personalidade do teatro brasileiro”, enquanto a atriz Zezé Motta disse que não consegue “imaginar o mundo e os palcos” sem pessoas como Bibi.

“Acabamos de perder a grande dama do Teatro Brasileiro. Bibi abrilhantou nossos palcos com seu talento e sabedoria, foi uma atriz, cantora e diretora única em seu entendimento da arte teatral, em seu olhar sobre a humanidade, com a força e o mistério do amor, da entrega e dedicação ao ofício da interpretação. Todos nós aprendemos com ela e a reverenciamos. Vai continuar brilhando no céu de nossa memória. Nos palcos e na vida nosso amor e gratidão eternas! Bravos Bibi”, publicou a atriz Beth Goulart.